2/13/2007

A Semana de Arte Moderna

(13 a 18 de fevereiro de 1922)

Hoje faz exatos 85 anos que teve início o
episódio mais relevante e transformador
em relação a arte no Brasil, cunhado como,
"O Movimento Modernista". Movimento esse
que alterou em definitivo, toda a concepção
estética e expressional da arte.

A arte no século XX, sofre com a crise do
capitalismo correspondendo à vigorosa crítica
ao impressionismo, o que resultou em uma
mudança radical da tendência artística.


A nova arte pós-impressionista, como o cubismo,
surrealismo, futurismo, expressionismo, dadaísmo
e construtivismo, foi a mais radical transformação
artística, pois representou uma ruptura com
a tradição renascentista.

Na arte pós impressionista, criticava-se a
representação naturalista, deformando-se
deliberadamente os objetos naturais.
Assim, criticando o caráter ilusionista da
representação, procurava-se não reproduzir
a natureza, mas violentá-la.

A arte abandonou a mimese (imitação) e, a partir
de então, tentou fazer das obras uma realidade
própria, um duplo da realidade. A nova arte era,
por isso mesmo, anti-sensorial e, do ponto de
vista renascentista, uma antiarte.

Assim como na pintura destruíram-se os valores
pictóricos caros à Renascença, na poesia todas
as regras herdadas pela tradição, como a métrica
e a rima, foram abandonadas em favor da mais
completa liberdade criativa. O mesmo ocorreu
com a música, na qual se procurou a superação
da melodia e da tonalidade.


Na Europa encontravam-se vários intelectuais
brasileiros que ao vislumbrarem uma necessária
modificação em nossa arte, retornam ao Brasil e
tem início o Modernismo com Mário de Andrade
e Oswald de Andrade.


O Movimento Modernista deflagra no Brasil na
Semana de Arte Moderna em 1922, (13 a 18 de
fevereiro) trazendo uma nova linguagem em que
a criação se faz pela experimentação, na sua
plena liberdade, rompendo com o ciclo do
passado, quando a nossa arte era pautada
nos grandes mestres europeus.


Há uma eclosão de novas idéias artísticas, nos três
festivais, todos realizados no Teatro Municipal de
São Paulo. A Poesia através da declamação, a música
por meio de concertos. As Artes Plásticas, exibidas
em telas, esculturas e maquetes de arquitetura.


Esse movimento que mudou a forma da Arte no
Brasil, tem como idealizadores os grandes
intelectuais da época, como
Mário de Andrade,
Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti
Del Picchia, Paulo Brado, Manuel Bandeira,
Anita Malfatti, Sergio Milliet, Di Cavalcanti,
Guilherme De Almeida, Agenor Barbosa, Victor
Brecheret, Rego Monteiro, Jonh Graz, Sérgio
Buarque de Hollanda, Villa Lobos, entre outros.


Os fatores preponderantes deste movimento foram:

1- A rejeição das concepções estéticas e artísticas
românicas, parnasianas e realistas.


2- Independência da arte no Brasil em que se
recusa as tendências européias.

3- Criação de novas formas de expressão que
representam a realidade contemporânea.


4- Transposição, para a arte, de uma realidade viva:
conflitos, choques, variedade e tumulto, expressões
de um tempo e uma sociedade.


O Movimento Modernista atinge o seu intento por
volta de 1930, em que completa a ruptura com o
passado, abrindo o foco às novas perspectivas,
que foram trilhadas pelas gerações seguintes.


"Nós éramos xifópagos. Quase chegamos a ser
deródimos. Hoje somos antropófagos (modernistas).
E foi assim que chegamos à perfeição...
".
Como
escreveu Antônio de Alcântara Machado, sobre O
Movimento Modernista, no primeiro exemplar da
Revista de Antropofagia (maio de 1928).

Referências:

1- Boaventura, Maria Eugênia. 22 por 22 A Semana
de Arte Moderna vista pelos seus contemporâneos.
Editora: Edusp

2- Schwartz Jorge. Caixa Modernista.
Editora: Edusp


3- Rezende, Neide. A Semana de Arte Moderna.
Editora: Ática

"Não há de se falar em Arte Brasileira sem o
movimento visionário dos Modernistas que na
época foram execrados e, hoje são exaltados
pelo legado incontestável. Hoje temos uma arte
"purista", oriunda do nosso País e a possuímos
por esse movimento cultural, ocorrido em 1922.
A nós brasileiros compete a gratidão eterna aos
precursores do Modernismo
".

(By Daniele Vasques)

Ps: Meus amores, estou azafamada por demais,
por esse motivo não tenho feito o que sempre
fiz, ir com todo o amor ao blog de cada um(a)
de vocês comentar. Me perdoem. Eu estarei
ausente alguns dias, mas assim que puder
retornarei e, como sempre irei a cada um
dos blogs com todo o amor, carinho, para
deixar os comentários como vocês merecem.

Sem dúvida alguma, o post mais relevante
que escrevi até hoje foi o Da Semana de Arte
Moderna
e quero agradecer de todo o meu
coração a amada amiga Vera que embora sendo
portuguesa é ávida pela cultura de todos os
países, aliás ela é um exemplo à ser seguido,
sempre interagindo, comentando, buscando
a cultura por onde passa. É uma amiga que
admiro demais. Agradeço também as(os)
amadas(os) Tina, Ana, Elisabete, Val,
Cadinho, Saramar, Cris, Ricardo, Lino,
Cantabile, Hilda, Farinho, Carlos,
Capucino , Angélica, Mundo Mágico,
Cleo, Cecilia, Soraia, Artur, Sereia, Copy,
Klatuu, Mariliza, que sempre prestigiam
e valorizam por demais a cultura.

Beijos na alma.

21 comentários:

Vera disse...

Querida Daniele, eu não tenho palavras que te possam descrever! Tu és realmente maravilhosa!
Que belo texto que fizeste sobre o Movimento Modernista! Confesso que sabia muito pouco sobre o assunto e fiquei fascinada e com vontade de saber ainda mais!
Tu és soberba, divina, de uma inteligência ímpar e orgulho-me todos os dias de te ter como amiga! Porque és realmente uma AMIGA maravilhosa!
Adoro-te, adoro-te e adoro-te!
Obrigada por tudo!

Mil beijos, com muita admiração e com imenso carinho

elisabete cunha disse...

Dani, seu post está divino!!! amei saber mais informações de um momento histórico da arte brasileira. L á no ENCANTO também possui um post sobre a Semana de arte. Dê uma olhadinha.

elisabete cunha disse...

O post é "sacudindo a poeira da arte tupiniquim" vale a pena dar uma olhadinha......beijão baiano!

Cadinho RoCo disse...

A semana de 22 é o berçario da nossa cultura.
Belíssima lembrança Daniele.
Cadinho RoCo

Tina disse...

Dani minha querida amiga:

Bem lembrado e ficou melhor ainda com este lindíssimo post!

Obrigada minha poeta querida, e aproveite bem o descanso.

beijos querida,

Saramar disse...

Daniele, obrigada.
Você é um farol nesta blogosfera.
Sua sensibilidade e o amor por nós, seus admiradores se traduz nestas verdadeiras aulas que nos dá tão amorasamente.
Brilhante o texto.
Muito obrigada e volte logo.

beijos

Cris Penaforte disse...

Dani querida...tudo bem? Desejo que sim! Quero agradecer as visitas que me fez, e me desculpar tb pela demora em retribuir tá? Minha vid aé uma correria sem fim, vc não tem idéia...Mas estou impressionada com a beleza e grandeza desse seu post sobre a Semana de Arte Moderna...sou apaixonada por Tarsila do Amaral e todos os outros, DIVINO! Parabéns amiga! Em tempo, desejo a vc e a sua família, um Carnaval maravilhoso!!!! Bjão carinhoso, Crissssssssssssssssssssssss...

cantabile disse...

Uma excelente aula de história da arte.
beijos e até breve

Lino disse...

Dani:
Excelente resumo da Semana e do que ela pretendeu. Muito informativo e com informações essencias para entender o que se passou.

elisabete cunha disse...

Dani, deu uma olhadinha no post?
Tem aula de baianês no ENCANTO vá e ria muito..... beijos baianos!
*Obrigada pela citação, vc é muito gentil :)

hilda disse...

Bela homenagem Dani... você com a arte no sangue, sabe bem como homenagear esse importante movimento da vida cultural brasileira. obrigada pelo texto e parabéns por ele!

Beijos

vanderlei disse...

|olah| Oi Dani vim avisar que estou com problemas no blogger, e estou reconstruindo no zip.net ok faça uma visita bjs Vanderlei

Ricardo Rayol disse...

Dileta Daniele, o que dizer de tão bela homenagem a este movimento que fooi, sem dúvida, o divisor de águas na cultura, em todos os níveis, nacional. Somos devedores a estes iluminados que transformaram radicalmente o Brasil. Fica aqui meu mais sincero agradecimento pela oportunidade de ler tão belo post. Você é realmente uma inspiração.

Carlos disse...

Musa
Machado de Carlos
http://ilove.terra.com.br/autores/texto.asp?idpi=1946


Eu queria tanto, tanto, e voei tanto!...
Uma cigana viu no seu cristal...
Ela não teve a idéia do quanto
Sua luz acalmou este vendaval!...

Há felicidade por enquanto;
Vivemos num espaço desigual!
Sei que sofrerei, mas, no entanto,
Achei minha amada; - Ela é Imortal!...

O tempo e o espaço fogem à vontade;
Choro; - Há uma agonia nesta saudade!
- Oh! Lábios de mel: - Como te amo!...

Supero o juízo, fujo à razão;
Levito!... Sinto só o coração!
- Ó meu Céu!... Ó meu Mar!... Como te amo!...

Carlos

Ribeirão Preto, 03 de janeiro de 2007.
2h20 min.

farinho disse...

È um prazer visitar este blog e aprender um bocadinho mais sobre arte.


Beijocas

profundamente disse...

É sempre um prazer visitá-la, pena eu ter muito pouco tempo para as visitas.


Um abraço

Vera disse...

Querida amiga, vim-te deixar um beijo rápido! Estou de férias esta semana, se sem muito tempo para visitar os amigos, mas não podia deixar de te vir entregar um beijo com imenso carinho!

Caputino Quaresma, o Indigente disse...

muito bom seu texto sobre a semana de arte moderna ..... se tiver um tempo entra no meu blog e de uma olhada nas minhas poesias ...

elisabete cunha disse...

Dani, saudade! aparece! :)

naenoroccha1@hotmail.com disse...

No que se modernizou a arte. Os homens continuam com seus pensamentos atraz. Suas saudades mais pulsantes, e seu destino, uma deriva. No que ficou diferente a poesia, na sua elaboração textual, porque ela tem como matéria fundamental o sentimento, e o sentimento não se moderniza. É um instinto que pulsa dentro de nós do século vinte e um como pulsou nos homens da idade média. Os medievais impiedosos. Mas que chorvam, que lastimavam a sorte, que deixaram escritos, escabrosos sobre o homem, sobre o domínio da alma sobre a matéria e vice versa, uma conturbação que julgo a história jamais experimentará.
Eu concordo que os Simbolistas, os Românticos que tinham por ambição mostrarem a amada o seu cadáver, a impor na coitada a pena de ser ela uma responsável pelo malogro da vida do poeta. E os simbolistas esses querendo simbolizar a poesia, enfeitá-las de letras inciciais repetidas, numa poesia, que voava mas não atravesava a primeira nuvem.
Mas o que eu questiono é: qual mistério descobriram os nossos modernistas, se na Suiça naquele tempo, por que nós nos degladiávamos, OS SAPOS de Manoel Bandeira, já era corriqueiro naquele país.
Nós copiamos um modelo, que era inevitável fazer. A tendência natural do mundo era deixar o homem mais solto, com relação ao que queria, como forma, para a sua criação.
Agora é inegável que o berço da boa arte vem desse fogo moderno, desse afâ por uma coisa que permitissem a quem tinha idéias boas, inspirações formadas, fazer a sua arte como se faz hoje em dia.
Em sínese, eu me alonguei, mas o que eu quero dizer, e pode-se ate considerar este parágrafo como a síntese da besteirada anterior, é que os sentimentos não se modernizam, os pensamentos vagueiam pelos mesmos veios, as lágrimas, as flores, os botões, os cravos, a lua, as estrelas, o céu, o mar, os olhos, o brilho, continuam a ser matéria de poesia.

Um beijo

Naeno

naenorocha1@hotmail.com disse...

EU LA MANCHA

Amar um gesto que tudo ébrio,
Permite-se no vento afundar,
E dar-se mais, ao que tiver na espera.
A pedra o risco de voltar jamais.
Amar perdido de amor tomado,
Puxado a vil monumento agastado,
A voz já rouca de implorar que deixem
Seus olhos verem se lhe cabe a cabeça,
A altura a forca que se vão largar.
Solto o destino, solta a sorte,
Larga-se sozinho espreitando a morte,
Que antes de abraçá-lo se compadece e chora,
Ainda não é hora, o amor vai se abrasar.
Amar redondo, o mundo circundado,
Cadê Dulcinéia, fugiram meus lugares,
Onde fico, dormem meus cansaços,
E a minha fadiga de me levantar.
Acorda-me amor, amor com beijos,
Retira a infante veste, de couraça,
A espada pesa. Sinto que a loucura,
Deixarar-me louco, por não te encontrar.
Campos, trigais, moinhos ao vento,
Vê-se distante, mais longe, te amo.
Mostra-me antes, dos caminhos limpos,
O lume longe do teu olhar tão belo.
Ó formosura, amar encarnado,
Amor que sinto, corpo atormentado,
Mas louco não sou eu,
São os que não me vêem
Como um ambicioso por amar demais.
Quero-te inteira, em carne e sentimentos,
Quero-te sentada, posta à minha frente,
Como uma deusa ainda inacabada,
Que o cinzel que aponto vai ressuscitar.
Sou um sonhador,
Só por querer amar a flor.
A flor do amor da flor,
Do bem querer.
Dizem que sou louco
E isso, sei, eu sou,
A flor do amor da flor
Vai me querer.

Um beijo na pele do teu coração
Naeno