9/06/2007

Simone: A Musa Existencialista


Li, reli e recomendo "Un Amour Transatlantique" de
Simone de Beauvoir, Editora: Gallimard.
Esse livro
traz as 304 Cartas (1947/1964) que Simone escreveu
para o seu grande amor, o escritor norte americano
Nelson Algren (Autor do proclamado livro:
The Man with the Golden Arm).

O livro, organizado pela filha adotiva de Simone, Sylvie
Le Bon de Beauvoir,
revela a escritora de forma bastante
diferente daquela até então conhecida através de seus
livros, suas idéias, seu engajamento político,
filosófico e literário que sempre revelaram
uma intelectual intrasigente.

Na obra enxergamos Madame Beauvoir despida de todos
os conceitos, traz à tona demonstrações francas de afeto
e a linguagem apaixonada de uma mulher amorosa,
engraçada, livre, sensual, tomada pelo desejo,
pela ausência e pela espera do ser amado. Com
requintes pueris, inerentes à todos Seres
enamorados.

A fruição da leitura destas cartas nos envolve em uma
apaixonada história de amor e nos oferece um contexto
muito rico, onde se aprende acerca da história da
humanidade imediatamente ao pós-guerra. Ela descreveu
seu longo e apaixonado relacionamento com Nelson
em seu romance Os Mandarins (1954).

O primeiro encontro entre os dois foi por acidente.
Simone com 39 anos viajava pelos EUA nos anos 40
e, quando chegou a Chicago, teve por cicerone Nelson
Algren, 38 anos, um romancista de fortes tendências
marxistas.

Simone se apaixonou de imediato e,
quando retorna a França já escreve à ele:
"Até breve ou adeus, não esquecerei esses dois
dias em Chicago; quero dizer que não o esquecerei".

E jamais o esqueceu.



"Eu sinto muito sua falta, de suas mãos, seu corpo
quente e forte, seu rosto, seu sorriso, sua voz;
sinto terrivelmente sua falta".
Sua Simone

"Boa noite, querido, sinto-me sossegada e feliz esta
noite, sei que irei vê-lo; não será muito breve,
não será por longos anos, mas também não por apenas
alguns dias. Só tenho de esperar, e vai acontecer.
Durante semanas e semanas será com meus lábios que
direi "boa noite, querido", e na cama, aquecida pelo
seu calor, você estará lá, quando eu despertar. Será
maravilhoso! Eu o sinto bem próximo, se hoje a minha
cama não está aquecida pelo seu calor, ao menos
o meu coração está".
Sua feliz e apaixonada rã.
Sua Simone.

Enquanto escrevia "O Segundo Sexo" (1949)
(A Bíblia feminista), tratado sobre a necessidade da
emancipação da mulher, no qual disseca, com acuidade,
a condição feminina, confessava para Algren querer
servi-lo: "como uma árabe".

Simone nunca teve a coragem em deixar Sartre, pelo elo
intelectual que os unia, pela amizade, pelos ideais
similares e, devido a relutância de Nelson em viver
em Paris, Simone decide romper depois de 17 anos e
uma dúzia de vezes em que se viram durante o romance.
A dor de Simone acompanhou-a até o fim, por várias
vezes caiu em prantos devido o amor que decidiu
abandonar. Nelson nunca superou a ruptura, sempre
negou o romance e depois de uma entrevista em que
deixou evidenciado o rancor por Simone, faleceu.

Simone amou verdadeiramente Nelson,
certa vez escreveu:
"Nos tornamos mais dependentes de um amor
quando ele termina do que enquanto ele dura".

Não irei acrescentar no que tange a frase acima de
Simone, mas sim corroborar. Enquanto estamos
vivenciando um amor, não teorizamos a respeito.
Só a partir da ruptura é que fazemos um inventário
dos ganhos e das perdas e, por estarmos na maioria
da vezes emocionalmente fragilizados, acabamos por
superdimensionar nossa solidão involuntária.
Conclui-se que o único remédio para a dor de
amor é aceitar que as coisas vêm e se vão,
como as ondas no mar.

(by Daniele)

5 comentários:

Dimitri disse...

Daniele...
Vou comentar o que? Suas palavras falam por si mesmas. Mulher, linda, forte, franca e sincera... ou seja tudo de bom. Eu nem teria tempo de fazer esse comentário, estou de saida do serviço, mas não resisti, pois sou o primeiro a comentar. Mais por ser o primeiro do que ter algo para comentar, pois como eu ja disse, você escreveu tudo! Meus parabens, linda.
Beijo.
Dimitri ( Antonio)
PS: obrigado por linkar-me, eu tb linkei o seu blog. O seu da uma luz especial em qualquer blog que o link.

André L. Soares disse...

Daniele, muito obrigado pelo link. Vou também linkar seu belo blog ao meu, para poder ler mais vezes. Li agora somente esse texto sobre Simone de Beauvoir, que realmente foi uma mulher símbolo da modernidade do século XX. Li também seu poema 'Branco & Preto', muito bom mesmo! Não sei se você viu o concurso de poemas que estou promovendo. Caso esteja interessada em participar, escolha um poema seu, postando no seu blog no ano de 2007, e remeta para

canetadeouropoesia2007@gmail.com

Em seguida lhe enviaremos material promocional do concurso e regras. Participe, é gratuito e já conta com mais de 300 poetas do Brasil, Portugal e Angola. Grande abraço, Poetisa!

Júlim Oliveira disse...

Obrigado por tua vinda ao meu blog, e pelos elogios e também estou pronto (sempre) para críticas. (risos)
Amo muito o blog da Mariliza!
_____________


Pra ser sincero eu conheço quase nada da história de Simone Beavoir, mas pode ter certeza de que pela maneira que você a descreveu eu procurarei ler spbre ela.
_______
Beijos em seu coração!

Miosotis disse...

Que saudade!
E que bom te sentir de novo após 2 meses de ausência.....
Nem sei o que te dizer!
Apenas que te adoro minha boa amiga.
Bem hajas, porque te quero bem!
Um beijo enorme em ti.
Deixo um miosótis azul...para ti!

Ricardo Rayol disse...

Você e suas maravilhosas biografias.